ENTÃO.

(mil anos depois)

eu fiquei pensando numa forma de explicar por que as coisas não estavam mais fluindo aqui, mas não saiu nada. não tenho uma explicação para dar. as coisas simplesmente se esgotam e chegam ao fim - e não sei se é exatamente o caso desse blog, mas achei melhor me afastar. pra não tomar pavorzinho. pra não querer apagar tudo e não conseguir voltar nunca mais. 

nesse intervalo tenho jogado umas coisas desconexas nesse buraco aqui, e tem sido bastante simpático. só não posso garantir por quanto tempo continuará. isso já seria exigir muito da minha pessoa.

vambora.
pedro diz: a pergunta é: vc se forma QUANDO?

r. diz: bom, eu abandonei a licenciatura porque o "vinde a mim as criancinhas" não tava fluindo
então se achar logo um estágio novo, acho que me formo em julho do ano que vem
ou em dezembro de 2012, redefinindo o conceito de FIM DO MUNDO

pedro diz: AHAHHAHAAHAAHHA
 END OF AN ERA!

r. diz: ÉÉÉÉÉÉ

pedro diz: THE END OF THE WORLD AS WE KNOW

r. diz: nossa, se eu fosse colar grau com todas aquelas frescuras super ia pedir pra tocarem isso na hora de pegar o canudo
e ia ficar forever alone rindo da piada

pedro diz: HAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHA
A Lua se faz minguante entre os dias 23/06 (Hoje) e 26/06, Brooke, sugerindo algum stress emocional. O risco aqui é de adoecimento por conta de excesso de passeios e farras.

excesso de farras.

farras.

FARRAS.

tudo o que tenho a dizer é que só saí de casa nesse feriado para ir à BIBLIOTECA. no SÁBADO. porque os servidores da ufrj estão em greve e eu tava num estado lastimável de "atrasaram minha vida, mimimi, agora vou ficar 4 dias em casa sem estudar, como sou infeliz", um naipe assim de quero-fumar-crack-cadê-meu-cachimbo-socorro. o ponto alto da minha FARRA foi escutar a aula de esperanto que um senhor de 187 anos estava dando para uma senhora de 256 na sala ao lado, rindo porque um não entendia o outro. 

aí a gente pergunta, né? que tipo de pessoa. e reflete que estou tão fora da casinha que nem os astros entendem mais minha estratégia.
enfim.
sonhei que estava numa praia, conversando, e começava uma chuva de estrelas cadentes. mas eram TANTAS que parecia uma cascata. e a pessoa que estava comigo falava "aproveita e faz um pedido".

daí que eu fiquei tão nervosa com as possibilidades que fiquei GAGA. tipo, mentalmente gaga, sabe quando você não consegue formular um pensamento completo? as estrelinhas se desmanchando e eu louca do cu porque não conseguia pensar coisa com coisa começo a gritar "ESPERA! ESPEEEEERA! QUE SACANAGEM! MANDA MAIS UMA, EU VOU DIZER O QUE EU QUERO! EU VOU DIZEEEER!"

quando a última estrelinha se desmanchou eu IMPROVISEI e gritei um pedido (e naaaaah, nem fodendo que vou dizer aqui o que foi, alguma dignidade eu preciso manter. só tenho a dizer que a- patético, e b- nem quero tanto assim, sabe? acho. sei lá.)

lamentável.

isso me fez lembrar de uma situação que aconteceu quando eu era criança. minha mãe me levou a uma sorveteria caríssima, o tempo era de vacas magras, então aquilo era um evento. entramos na fila enorme e ela disse "vai escolhendo enquanto não chega a nossa vez". eu olhei para a tabela com seus mais de 50 sabores e pirei FORTE, eram muitas possibilidades, impossível decidir. chega minha vez e aquela sensação torturante no máximo, minha mãe e o balconista impacientes perguntando "e então? o que você quer?". eu respiro fundo e falo a primeira coisa que me vem à mente.: quero flocos.

FLOCOS.
50 sabores de sorvete, raquel. qual você quer? o mais sem graça, por favor. 
vou embora com a sensação mais nhé do universo, vendo as outras crianças com aqueles copos coloridíssimos e eu com aquele sorvete branco boring. minha mãe PUTA PRA CARALHO, claro. depois isso virou uma espécie de piada familiar, a cada vez que eu empacava diante de um cardápio vinha o inevitável "pede flocos".

e é isso que eu faço até hoje. eu peso as possibilidades, teorizo, fico louca do cu, respiro fundo e peço... flocos.

o que seria da minha vida sem as metáforas pobres, não é mesmo?
tava na cozinha comendo um pavê de morango, daí sabe quando toda a cobertura do doce acaba se aglomerando por razões incompreensíveis e fica aquele TOPETE na colher? abri a boca e... derrubei a colher no chão. juro. minha vida é um eterno derrubar a última colher de doce no chão.

aí você franze a testa num reflexo involuntário de choro e constata que nah. nem chorar você quer. por nada. sei lá, duas perdas na família no período de um ano. você desiste de chorar por isso, porque não aguenta mais. e ao mesmo tempo todo o resto é rebaixado de categoria. tipo, se não estou chorando pela minha tia, por que choraria por um prazo perdido? ou por precisar limpar o chão da cozinha à uma da manhã?

semana passada fui pra ultra love cats, cinco da manhã o povo do evento ao lado decide que nada a ver dividir o espaço com festa de viado, e me taca um pote de água com sabão em pó na cabeça. carrie feelings, sabe? eu sentada, num tédio mortal, e um forrozeiro whatever com cara de ex presidiário taca sabão na minha cabeça. e minha única reação é rir. porque NÉ? vou fazer o quê? fico sentada pacientemente, até que chega juliane e quebra o pau por mim, porque aparentemente estou impossibilitada de me indignar com a vida. ainda pensei em mandar um email pro clube israelita, sugerindo que não aluguem o piso superior para chimpanzés quando houver humanos lá embaixo, mas pfff. tá nos rascunhos até hoje. 

sei lá, acho que se me revoltar vou precisar botar TANTA COISA na roda, que é melhor nem começar. porque tá além das forças no momento.

esse post é meio que um pedido de desculpas a todas as pessoas que tentaram se aproximar de mim nos últimos 3 meses e meio. por todos os convites recusados e todos os emails que eu juro que vou responder mas agora não. desculpa, gente. tava tão além das minhas possibilidades que mal consigo descrever. eu disse que seria diferente, que não fugiria das pessoas, mas não foi dessa vez. ainda.

tamos aqui de volta aos pouquinhos, enfim. no esquema do "obrigada por mais 24 horas", mas tamos.


(post louquíssimo, já nem sei direito sobre o que queria falar. culpa do pavê escroto.)
não, e sexta-feira que eu fui seduzida & agarrada?
na van?
por um calouro adolescente bêbado (redundância tripla twist carpada)?

só se pode amar minha vida. 
começa que eu tinha a intenção séria de assistir aula, mas o motorista do 485 achou de bom tom pegar um desvio logo ali em benfica, atrasando minha vida em mais de uma hora. quando cheguei a xerox já estava fechada, eu não tinha os textos e PRONTO MINHA VIDA ACABOU, porque é assim. tudo vai bem, até que algo vai mal. daí saio da rota e não consigo voltar nun.ca.mais.

pensei que podia, então, fazer hora estudando outra coisa até o engarrafamento diminuir, e fui para o laboratório.
obviamente, esqueci que era sexta-feira. e agora, às sextas, temos djavan cover na praça de alimentação. eu não consigo descrever isso com toda a carga de -Q/ necessária, então darei apenas os fatos: tem esse rapaz que canta djavan e guilherme arantes AOS GRITOS toda sexta depois das 18h na pastelaria do chinês. tem essas pessoas (muitas, vocês não acreditariam) que acham ok e ficam todas ao redor ouvindo e bebendo itaipava e DANÇANDINHO e gritando uhuuu em vez de sair do fundão e talvez, sei lá, ter uma vida. e tem eu mesma, que achava engraçado dar uma paradinha pra rir e observar a fauna, até descobrir que meu próprio ex é um dos frequentadores da bagaça e né? MEIO CHATO (ainda que condizente com todo o contexto, er.)

sei que tentei, tentei sinceramente. mas o texto era complexo e djavan cover urrava E FOI ASSIM QUE EU VIIIII NOSSO AMOR NA PUÊÊÊRAAA, PUÊÊÊÊÊRAAAA, e pensei "mas que caralho. não sou obrigada". de modos que eu mesma desisti de existir naquele tempo e lugar, comprei um latão de cerveja, virei no gut gut e peguei a van de volta.

admito que a velocidade com que o álcool entrou pode ter me deixado um tiquinho mais sociável, mas o fato é que tinha essas crianças bêbadas tentando fazer uma ligación e falhando miseravelmente porque não acertavam os números. entediada, entrei no assunto e perguntei se estavam ligando para o chat amizade. um dos juvenis confundiu isso com um convite para o flerte e me convidou para esticar a noite bebendo no outback.

hardcore, huh? só faltou falar "depois minha mãe te leva em casa" (se bem que se fosse o caso eu talvez reconsiderasse, vai saber.). agradeci muitíssimo, recusei e avisei ao motorista que desceria no próximo ponto. foi quando o mancebo compreendeu que nada mais tinha a perder e sentou no meu colo.

já me aconteceu muita coisa estranha na vida, MAS.

sei que ri, né. uma pessoa bêbada de 17 anos senta no seu colo e começa a te beijar em uma van em movimento, o que você pode fazer? rir. e ir embora sem olhar para trás. porque só há duas interpretações possíveis para o fato:

1. minha vida está atingindo proporções de lama jamais vistas antes.
2. tô pesando a mão no renew.