choque & incredulidade da semana: reunião de pais

(da qual eu não estava participando, GRAÇAS A DEUS, mas precisei entrar na sala pra pegar uma coisa e estava lá uma mãe muito indignada falando de sua cria.)

- eu não quero que minha filha seja lenta.

oi?

(sério, a única reação da coordenadora foi: oi?)
(não a julgo)

- a minha filha, professora. a fulana. é muito lenta, eu não quero que seja. 

eu. não. quero. que. seja. tá bom?

liga pro procon, né, senhora. quem sabe?

mas vou logo avisando que não tenha muitas esperanças. porque se houvesse essa possibilidade, minha mãe teria sido a primeira a utilizar.
hoje eu tinha acabado de sair de casa e uma velhinha me olhou com uma cara de cu gigantesca e fez "tsc, tsc, tsc" pra mim. e tipo. eu não tava com a bunda nem os peitos de fora e tinha acabado de lavar o cabelo, ele ainda estava sob controle. só o meu vestido que estava meio amarrotado. da última vez que chequei isso ainda não configurava falha de caráter mas vai saber, né. de modos que em vez de perguntar se estava cagada, apenas elevei meu espírito e segui em frente.

duas horas mais tarde, entrando no banheiro do rio sul, uma mulher que vinha saindo pegou no meu braço e berrou um JESUS TE AMA assim tão extremamente capslouco que eu nem consegui esboçar a reação apropriada. que seria, sei lá, gritar MORRA!, surtando porque uma crente maluca desconhecida travou contato físico não solicitado COM MÃO DE BANHEIRO com a minha pessoa. mas não fiz nada. apenas elevei meu espírito e segui em frente.


daí eu queria saber: toda essa elevação espiritual pode ser trocada por um bônus pra não precisar sair da minha cama amanhã?

nem é preguiça, gente.
é medo mesmo. 

it's friday i'm in love

- que dia foi esse?
sério mesmo.
estou atormentada.

- o que aconteceu?

- você quer dizer, depois que um menininho fez xixi no chão e todos acharam de bom tom patinar no mijo?

- ...

- acho que mais nada.

- ...


sabe o que é pior?

a lagartixa-bebê foi andando calmamente para trás da cômoda. ela vai ficar lá por um tempo, eu vou esquecer que ela existe, e num dia qualquer às 6 da manhã vou enfiar a mão na gaveta para pegar uma blusa e ela vai estar lá, e eu vou encostar nela e ter um ligeiro faniquito porque não curto bichos geladinhos misturados com as minhas roupas, muito menos de manhã cedo. e depois vou me sentir ridícula, porque é só uma lagartixa, minha filha, se controla.


sim, eu já planejei tudo.
tem uma lagartixa no meu quarto.

quero dizer. ALÉM DE TODO O RESTO, tem uma lagartixa no meu quarto.

acordei às 10 porque estava chovendo oceanos e foda-se tudo nem me pagando muitos dinheiros eu perco duas horas da minha existência sentada no chão do 485 num dia como hoje e morram todos. e fiquei no escurinho ponderando sobre esse ato de rebeldia que vai me valer toda uma cara feia na semana que vem. tava ali contemplativa, observando uma rachadura na parede.

até que a rachadura andou. 

D:

e sério, eu não tô ASSIMILANDO o que que esse bicho veio fazer no meu quarto. eu sou frouxa, não vou matar. é uma lagartixa-bebê com olhinhos brilhantes, gente, não posso matar. aquelas experiências agradabilíssimas dividindo barracas com os seres mais esquisitos do reino animal me deram todo um pudor de fazer chilique por causa de qualquer bicho que não tenha ferrão, não morda e seja menor do que eu.

então ou a lagartixa-bebê sofre alguma mutação tipo um rabo de escorpião ou 3 fileiras de dentes, qualquer coisa assim que me intimide e me forneça permissão mental pra dar uma sapatada nela, ou viveremos juntas para sempre. 

é isso.