eu tenho esse problema, quando preciso conviver com pessoas novas. eu sempre acho que elas vão perceber de cara que sou completamente surtada e aí rola todo um esforço para abafar a loucurinha. é cansativo, chato e me deixa com a impressão de que a doidice reprimida vai se rebelar e vir à tona toda vez que me fazem abrir a boca.

tipo isso.
teve essa reunião na sexta e eu fiquei um pouco ~aflita~ porque não conhecia ninguém e seria um grupo pequeno num clima intimista de pura descontração e vontade de fugir sem olhar para trás. mas eu não faço mais esse tipo de coisa. então cheguei num horário aceitável, sentei entre duas meninas (porque ninguém precisa ficar sabendo logo de cara que eu tenho PAVOR de sentar entre pessoas. lugar de sentar é sempre no canto, perto da porta, por favor) e fiquei quieta manjando os novos coleguinhas.

e gente.
gente.
permitam-me falar que eu sou muito normal até.

tem essas duas meninas que são completamente opostas. uma é muito bonita e sabe disso, então sua principal preocupação é ficar ali sentada apenas existindo e sendo linda. as pessoas falando e ela penteando os longos cabelos com os dedos. a outra é baixinha com um cabelo estranho e blusa azul de lycra e nail art de oncinha. assim tudo junto. ela abriu um pote cheio de comida e tipo. não é porque disseram que você pode levar o almoço que significa que você deva e taí um raciocínio que deveria ser aplicado em todos os momentos da vida mas não. então a pessoa simplesmente entra na sala de reuniões recém-inaugurada e fica ali derrubando macarrão parafuso em cima da mesa nova. e eu no meio, carregando o fardo de ser a única pessoa disposta a simular normalidade nesse mundo.

aí chegou um doutorando wagner moura feelings pra apresentar os dados dele, com toda uma pinta de macho que durou 5 segundos porque ele abriu o ppt e os resultados estavam... em comic sans. ou seja. mesmo quando a pessoa consegue acabar a biologia, a biologia vai lá e acaba com a pessoa antes.

vão ser meses muito felizes, mal posso esperar.