na véspera do dia das mães, 5 anos atrás, eu tava bem na merda. assim, eu já fiquei na merda várias vezes, mas essa fase foi realmente além. eu estava em petrópolis num dia particularmente desalentado, esperando uma carona que só rolaria umas seis horas depois. e tinha essa feirinha de adoção. e eu resolvi que ia lá adotar um gato macho todo preto chamado manuel.

(não perguntem, porque eu não vou ter o que responder. foi um raciocínio similar ao que tive aos 6 ou 7 anos quando ganhei 20 dinheiros numa raspadinha - lembro nem qual era a moeda na época - e troquei o prêmio no mesmo segundo pela primeira coisa que achei pertinente: um filhote de jabuti ilícito.)

bom, não tinha nenhum gato macho preto pra chamar de manuel na feira aquele dia. mas tinha essa figura aqui:


que, ironicamente, ficou sem nome por semanas e foi chamada de pelo menos quatro coisas diferentes - virgínia (por causa de ciranda de pedra), violet (brooke shields, pretty baby, amor eterno), annabel (de annabel lee) - até que optei por flora e até hoje pensam que eu super fui fã de a favorita. quer dizer. escolhi tanto pra isso.
mas ela não se importou e taí me salvando dos silêncios constrangedores em reuniões familiares desde 2007.

o bonsai foi utilizado na foto apenas para dar uma noção
do tamanho da gata -  e foi depenado uns 3 segundos depois.

quando eu cheguei perto da gaiola com um pacote cheio de bolinhas de queijo ela foi a única a levantar o focinho, super interessada naquele cheiro de coisa frita. o que interpretei como um sinal inegável de que éramos almas gêmeas. então eu liguei pra casa e disse que o presente da minha mãe seria uma gatinha com um laço vermelho na cabeça. tipo. menti descaradamente e volta e meia minha mãe ainda lembra disso e pergunta quando vou entregar o presente atrasado. o que jamais acontecerá, lógico. porque a flora provavelmente comeria o laço. E a minha mãe.