no último episódio tinha essa pessoa das pedagogias extremamente aflicetada com os rumores da greve. com o resultado da assembléia a mulher abilolou um pouco mais e marcou um encontro de caráter emergencial para debater a greve que mal tinha completado 12 horas. ela precisava compartilhar impressões

a minha impressão é de que essas pessoas bebem muito daime na troca de turno. sabe? é minha única impressão. porque eu chego lá às 19h com meu toddynho, sento discretamente do lado de fora da ~roda~ (uma vida inteira sentando do lado de fora da roda, anos de prática) e as pessoas estão lá pirando na revolução imaginária. teve inclusive esse jovem que num momento de maior exaltação falou VAMO INVADIR A REITORIA GENTE.

opa, vamo. me liga quando for invadir, sim? não, mas me liga mesmo.

invadir a farmácia pra tomar um diazepam cês não querem não, né? só checando.
daí perguntam por que eu saio de casa para participar desse tipo de coisa. é porque se não vou a mulher se ofende e me manda emails reclamativos. é muito sério isso. eu não saio por aí perguntando, porque prefiro evitar a interação, mas tenho a impressão de que ninguém mais passa por esse tipo de coisa. professor interrompendo a aula pra dizer que eu estou sumida. professor dizendo que me viu indo embora antes, ou chegando depois (eu e mais 30 seres humanos, mas incrivelmente eu possuo a única cara que fica registrada nessas situações). professor mandando email pra dizer que me viu no ônibus e sabe que eu estou na faculdade, sim.

olha, é muito cansativo.
MUITO. CANSATIVO. 
independente disso já estaria sendo, MAS. as pessoas não facilitam, compreende? as pessoas não suavizam o processo. as pessoas são muito difíceis.

eu fui esse ser humano completamente terrível em minha última vida. nada mais explica.