ontem teve esse evento da entrega da cômoda em minha residência. cômoda esta que minha mãe mandou fazer para o meu quarto uma vez que não conseguiu encontrar dentre todos os modelos disponíveis em todas as lojas do rio de janeiro algo que a agradasse. ela achou melhor fornecer as medidas a um carpinteiro e esperar ele fabricar um móvel inteiro. 

o que eu acho que ela não tinha considerado é que o carpinteiro poderia interpretar as medidas como uma mera sugestão e fabricar um móvel completamente incompatível com a vida. uma aberração. um mamute com gavetas. 

quando cheguei em casa e me deparei com aquele carro alegórico na sala eu ri. de nervoso. porque não era algo arrastável. ou carregável. ou cabível. mas fui lá desafiar as leis da física. arranquei todas as gavetas para facilitar a passagem e imediatamente os gatos entraram pelos vãos e começaram a se bater lá dentro. 

nesse ponto ainda eram 18h e eu ainda estava achando a experiência engraçada e válida.

três horas depois eu já tava ok de experiência por um dia mas a cômoda seguia não cabendo em nenhuma parede. em nenhuma posição. esvaziei todos os armários e todas as prateleiras e todos os reservatórios de mofo e nada. tirei uma estante do quarto. nada. entrei naquele ponto sem retorno em que a crise de rinite resolve virar crise de bronquite e chorei. mas chorei lindo.

nesse meio tempo, por razões que não mais recordarei, bianca achou que me animaria me apresentando ao trololo.


e gente, taí a trilha sonora de toda uma existência. a vida canta o trololo pra mim a cada nova comida de cu, tenho certeza. 

com o trololo no repeat concluí que não tinha muito como a situação ficar pior e terminei de botar o quarto abaixo. aparentemente empurrei os móveis com os joelhos, porque nada explica tantos hematomas. um pedaço de parede se foi e as prateleiras da estante estão todas meio bambas de tanto serem sacudidas de cá para lá. mas o milagre do encaixamento dos móveis finalmente deu-se por volta da meia noite.

viva o trololo, minha gente.

as pilhas de livros e dvds e roupas e fotos continuam por todo o chão. estou morando num brechó. ou melhor, estou desmaiada num brechó, porque só o polaramine e o hixizine salvam a vida da pessoa. durmo, acordo destrambelhada sem saber onde as coisas estão, levanto pra procurar algo, tropeço, desisto, durmo de novo. levei 24 horas para lembrar que tinha deixado o peixe na bancada da pia da cozinha, como ele não levou um esguicho de detergente nós jamais saberemos. quer dizer. tá legal, tá bacana. tá insalubre. tamos respirando a uns 30% da capacidade pulmonar, a caminho da fermentação. a qualquer momento começarei a produzir meu próprio etanol. o que, convenhamos, seria merecidíssimo.