- Pourquoi t'as l'air triste?
- Parce que tu me parles avec des mots, et moi je te regarde avec des sentiments.

porque assim. eu sempre vou me sentir culpada. sempre. por tudo. se a gente analisar detalhadamente vai ver que é uma tendência um tanto quanto narcisista, até, porque TODA A CULPA DO UNIVERSO precisa passar pela minha pessoa em algum momento. e eu me sinto culpada por cada coisa ruim que me fazem. culpada em dobro: primeiro porque se fizeram eu mereci, e culpada por ter ficado triste. é muito agradável aqui dentro da minha cabeça, nem me falem. mas então. um dia eu considerei que talvez a culpa não fosse sempre toda minha. nem dessas pobres pessoas de coração bão que só metem no meu cu porque, coitadas, não sabem. daí eu passei a explicar. e a falar muito. pensar muito. escrever muito. me expor muito. numa tentativa meio desesperada de evitar mais porradas. pra não precisar passar por toda a merda de novo porque existe um limite pra pessoa ser assim tipo a grande lixeira do mundo. ou pelo menos deveria. mas não é exatamente isso que acontece. porque eu nunca vou conseguir explicar direito o que dói, onde, quando, por quê. eu não posso explicar isso sem trazer à tona mil coisas nas quais não posso tocar. então eu preciso que as pessoas entendam aquilo que não foi dito. aquele sutil espaço entre as palavras. quando estou ali, exposta e magoada, mas simplesmente não posso dizer o motivo. porque não funciona assim. e lá estou eu de novo me culpando por não funcionar. porque não sou fácil. porque as pessoas estavam pensando em outra coisa ou achando engraçadinho quando tava passando o ppt explicando que não é fácil. eu lá sei o que as pessoas têm na cabeça. que sei eu dessa merda toda, afinal.

but i better be quiet now
and i'm tired of wasting my breath
carrying it on, getting upset

maybe i have a problem
but that's not what i wanted to say
i prefer to say nothing
i got a long way to go
getting further away