tem essa coisa boa em ir ficando mais velha. quer dizer. eu gostaria MUITO de acreditar que ficar mais velha traz alguma coisa de relevante além de ruga e cabelo branco. mas aí tem isso. o fato de que, dado um certo ponto, tudo vira mais do mesmo. você sabe lidar (ou não, né. no meu caso geralmente é ou não) com os acontecimentos porque já passou por eles antes. muda o elenco, fica o roteiro manjadíssimo. e dá uma tristeza do caralho compreender que não somos especiais em nenhum nível dessa bodega desarranjada e não há o que fazer quanto a isso, não dá pra mudar o final. quem foi o idiota que inventou aquele ditado de "começar de novo e fazer um novo fim"? alguém chegou a esbofetear essa pessoa? porque né, merecia muito. chegamos aqui sabendo o papel que nos foi determinado e não sei como se deu essa divisão porque se escolha houvesse eu não ia querer vir como aquela que sim, mas não. mas é o que temos. e quanto mais se tenta fugir, mais a vida vem esfregar na tua cara que você não manda nada aqui não, gatinha. você não muda o roteiro. acho que o que muda - e mesmo assim fazendo um esforço épico - é a forma como a gente aprende a lidar. na base do disfarce. fingindo que não tem mais importância, veja como sou madura! até o dia em que não importa mesmo, mas aí é porque já não sobrou nada e não há alívio. apenas a sensação de estar indo embora de mãos vazias mais uma vez.