vibe do dia. do ano. da vida.


afinal, quem aqui nunca teve vontade de envolver a cabeça em explosivos e acender um fósforo, não é mesmo?

(não respondam)

melhor do que a cena ela própria, só a presença de espírito do tradutor que substituiu o "pourquoi?" original por esse "what's the point?" que sintetiza a vida.

e eu amo tanto esse filme. e estava indo pro ponto de ônibus pensando naquele outro diálogo em que ferdinand diz que é um grande ponto de interrogação sobre o mediterrâneo. enquanto eu estou mais para uma pequena exclamação na bordinha do atlântico. eu sou um modesto -q/ na margem da baía de guanabara. e fui obrigada a rir porque puta que pariu, raquel. dá pra fazer uma associação mais pedante do que essa?

mas aí tinha esse veículo grande e amarelo na calçada, bem rente à parede. e chovendo, né. eu tava indo por baixo das marquises. passei então pelo espacinho entre o carro e a parede. e dois tios fizeram A MAIOR cara de aff pra mim. fiquei meio assim e pensei se não seria o caso de gritar o FOOOOODA-SE que estava guardando com tanto carinho desde as cinco e meia da tarde. virei pra trás com minha melhor cara de "you talkin' to me? you talkin' to me? who the fuck do you think you're talking to?" e aaaaah, tá. é um rabecão. 

tipo. não o instrumento, né. o carro recolhedor de mortinhos da defesa civil. apenas.
(inventei de dar um google em "rabecão" para efeito ilustrativo e meudeus, que idéia estúpida, jamais dormirei novamente.)

os tios do aff estavam tentando engavetar um mortinho e eu fui lá e passei no meio deles. o que justifica a cara de bunda, né. no mínimo pensaram que eu era, sei lá, algum tipo de necrófila maluca.

e atrapalhar recolhedor de morto tá uma coisa muito digna da minha vida. depois do susto achei quase válido.
quem nasceu pra figurante do lynch nunca chega a godard, mesmo.