eu falo que meu humor salva minha vida e as pessoas ficam -q porque devo ser a pessoa mais insuportável e destemperada do universo. mas é exatamente por isso. minha instabilidade é surreal num naipe de falar "ok, não dá mais, hoje só cortando os pulsos", chegar na cozinha pra pegar uma faca e arrumar toda a gaveta de talheres, fazer rolinhos de queijo, tomar uma coca-cola e gente, será que arrumo torrent praquele filme de 1940? bem nesse nível. claro que nesses 3 minutos do ok-não-dá-mais algumas cagadas são eventualmente feitas, mas em linhas gerais é isso, eu não levo o surto até o fim porque esqueço que estava surtando. 


existia essa pessoa de moral um tanto questionável (hahahaha, sou tão fina, gente) em meu círculo social, que costumava justificar todas as reações às merdas que fazia com um singelo "eu escolho o que faço. não escolho a forma como a pessoa vai se sentir." e eu ficava tão, mas TÃO revoltada quando ouvia isso. porque se você conhece a pessoa que está decepcionando, de certa forma você está escolhendo, sim, a forma como ela vai se sentir. porque você sabe

até que hoje estava pensando nisso e com todo o meu equilíbrio decidi que a criatura estava certíssima em toda a sua escrotidão. ninguém escolhe como vou me sentir. ninguém deveria ter o poder de influenciar nisso. e se eu permito - se tenho alguma brecha maluca em minha personalidade que autoriza alguém a se instalar e ditar as regras do meu humor - o problema é todo meu. e eu posso perder mais uns trezentos feriados ruminando a respeito e me sentindo eternamente insuficiente por tudo o que me fazem ou deixam de fazer, ou posso aceitar que ninguém faz merda nenhuma aqui a menos que eu queira.

agora pra admitir que a recíproca é verdadeira vão ser só mais uns 20 anos de auto-análise. porque eu, em minha infinita cuzice, continuo achando que não posso desapontar as pessoas ou a raposa maldita do exupéry vai vir puxar meu pé à noite.

baby steps.