duzentos e dez pacotes de fofura

- o que acontece se eu enfiar o dedo nesse tubo e lamber?
- nada. é só açúcar.
- e se eu enfiar o dedo aqui? o que acontece?
- é ácido, né? vai te queimar.
- e se eu lamber isso aqui?
- olha, não sei. e não faz o teste enquanto eu for responsável pela sua integridade não, tá? por favor.

e a vontade de falar "enfiar o dedo no cu e lamber tu não quer não, né, amiguinho."? o que fazer com essa vontade, senhoras e senhores?

uma tarde inteira de "e se eu lamber isso aqui?".

como diria a grande cora coralina: MORRA.

aí você sai da sala pra tomar um ar porque não há condições e encontra outra monitora refletindo.

- gente, tá dando não, hein. pessoa aleatória tá achando que o curso é de degustação.
- ...
- e o seu grupo?
- está testando se o limão inibe o crescimento de bactérias nas axilas. foram lá na barraca de biscoitos.
- pra quê?
- disseram que iam pedir pra coletar amostras do tio do biscoito.
- amostras tipo "moço, levanta o braço que eu vou passar um cotonete"?
- é.
- e eu reclamando do menino só porque ele quer lamber os reagentes, né? estou até me sentindo ingrata agora.
- pois é.
- ...
- quer fofura?


na semana de preparativos para o curso cogitou-se não oferecer lanche aos alunos porque não tínhamos verba. mas a idéia foi descartada em seguida porque a imagem mental de 50 adolescentes famintos assustou a todos. enquanto discutíamos opções baratas de lanche, alguém falou de sacanagem "sei lá, compra fofura". e todo mundo riu, porque né? oferecer fofura de lanche é muita falta de humanidade.

mas minha orientadora é uma pessoa adoravelmente desprovida de malícia. e na manhã seguinte anunciou que havia resolvido a questão do lanche. comprando 210 pacotes de fofura. ~apenas~.