kurt wüthrich usa gravata com estampa de elefantinhos. e cochilou durante sua própria solenidade de apresentação à universidade. com direito a tombadinha de cabeça, sabe? achei amor.

depois acordou e foi explicar por que ganhou o nobel, ou o que estava fazendo ali, ou ambos, mas honestamente não compreendi bem porque não trabalhamos com suíços falando inglês com sotaque alemão. nisso ele tira o cinto e eu penso que se a gravata era de elefantinhos poderíamos esperar qualquer coisa da cueca, né. mas a realidade nunca é tão legal quanto dentro da minha cabeça e não rolou strip. ele só queria usar o cinto para simular a conformação das proteínas - foi tipo o momento imagem & ação da palestra e todos compreendemos por breves 5 minutos. mas aí acabaram as mímicas e foi minha vez de dormir sentada no chão do auditório, porque estava lotado e eu sou fina. 

quando já havia perdido todas as esperanças de sair daquele lugar, tio kurt achou de bom tom nos tirar daquele sofrimento, parou de falar e permitiu o início do coquetel. prontamente criei laços com o garçom do prosecco que, chatiadíssimo com aquelas pessoas elegantes bebendo socialmente, resolveu se aproveitar da minha força de vontade deficiente e me embebedar. só para ter do que rir, imagino.

preocupada com a possibilidade de manchar minha reputação, eu:

( ) peguei minha mochila imunda e fui para casa
(x) peguei minha mochila imunda e RETORNEI ao local do coquetel para ouvir do garçom um elegante "RÁ! EU SABIA QUE VOCÊ IA VOLTAR!", ligar o foda-se e ingerir umas seis ou doze taças para por fim caminhar até o estacionamento preocupando a todos que acharam que eu iria embora dirigindo. sendo que: não tenho carro e nem lembro o que fui fazer no estacionamento em primeiro lugar.

aí vocês perguntam o que eu estava fazendo nesse evento e eu mesma não sei explicar. me mandaram ir, eu fui. porque agora tá assim, eu faço o que me mandam sem maiores questionamentos. tão bom, gente. tão libertador não me perguntar a cada 10 segundos se devia mesmo estar ali, ou seria melhor estar fazendo outra coisa. tão desprovido de culpa. sinto como se meu cérebro fosse um hd de 500mb com uns 80gb ocupados, no máximo. e só de coisa inútil, mas né? um passo de cada vez.