boa noite, meu nome é raquel e eu destruo tudo o que toco.

se eu procurasse um psicólogo ele diria que eu sou bipolar. se fosse pra igreja universal diriam que é encosto. mas sou apenas eu e é isso que eu faço. é tipo meu dom. o único.

eu não quero que me digam que as coisas vão melhorar, porque não vão. nem que eu não mereço ficar triste porque sou uma pessoa legal, poque olha, não sou não. eu só quero de volta o que tinha até umas poucas semanas atrás, mesmo sabendo que perdi tudo e nunca mais vou recuperar. quero falar que minha vida é injusta mas nem isso posso, ela estava sendo decente, eu que fodi com tudo. quero fazer diferente, fazer melhor, mas já tive minha chance. tive e perdi. eu perdi, sabe? eu perdi. eu arruinei tudo. é o único pensamento que se repete na minha cabeça nos últimos tempos, ao acordar, esperando meu sanduíche feio na fila do bob's, fazendo piadinhas para evitar que perguntem se está tudo bem. todo o resto é uma massa amorfa de comandos desconjuntados que me permitem existir sem que as pessoas notem (muito) quão bagunçada estou. tem um gigante GAME OVER em neon piscante me perseguindo para onde quer que eu olhe, para não me deixar esquecer que não foi a vida, não foi acaso, não foi azar. fui eu. eu e minha vocação para semear infelicidade, plenamente cumprida, em todo o seu esplendor. 

e não, eu já não acho que escrever pode mudar ou ajudar em nada, se ~desabafar~ servisse para alguma coisa eu seria a rainha do equilíbrio. eu só quero mesmo me sentir livre pra ficar tão triste quanto estou de fato. mais ou menos como a garotinha na clínica hoje, que fugiu do teste alérgico, tirou toda a roupa na sala de espera e sentou aos prantos, só de calcinha, desolada demais para sentir vergonha. essa é a minha sala de espera, e eu só quero sentar aqui e chorar até cansar.

mas sem tirar a roupa, porque fama negativa eu já tenho o suficiente.