todas as noites, naquela hora tenebrosa em que você realiza que não vai dormir nem tão cedo, eu fico aqui cismando sobre uns 2 ou 10 assuntos sobre os quais poderia mimimizar. mas assim que começo coloco de lado, porque não faz a menor diferença. minha insônia voltou com força total, mas isso não tem importância. esqueço de comer e tenho vivido basicamente de pães de queijo e pipoca doce, mas isso não tem importância. não tenho uma única roupa limpa nem desarrumei minha mala até agora, mas isso não tem importância. seria menos constrangedor dançar conga la conga no auditório a apresentar esse trabalho, mas isso também não tem importância, e aliás são quase 3 da manhã e eu devia estar dormindo para pelo menos aumentar minhas chances de administrar o fiasco, mas... enfim.

eu dei uma volta tão grande para chegar até aqui. não sei se é perceptível para quem lê essa bodega desarranjada, e também não vem ao caso porque não falo isso pra ganhar confete. é porque eu percebo, eu sei. mas grandesbosta saber se para aquelas poucas pessoas que eu queria tão desesperadamente convencer isso não faz diferença nenhuma. eu não mudei, não cresci, não evoluí e não sou digna de confiança. e eu preciso ficar aqui nessas alturas da madrugada me sentindo ruim e perdida e inadequada, tentando me convencer de que sim, eu mereço um pouco de crédito. e falhando. falhando. falhando. até finalmente dormir e como recompensa ganhar um dia inteirinho para falhar tudo de novo.

e esperar que um dia isso tenha importância para alguém além de mim mesma.