- você pegou seu dinheiro?

- não, cadê?

- botei na caixa.

- ah, você depositou pra mim? obrigada!

- não, não. botei na caixa.

- sim, na caixa econômica.

- não, na caixa ali em cima da bancada. procura lá. uma caixa de remédio.

era uma caixa de buscopan. que poderia ir para o lixo a qualquer instante. cheia de dinheiro. e a pessoa fala como se eu fosse deduzir isso espontaneamente.

~ ~ ~ 

- você já vai apresentar?

- falta meia hora.

- tá nervosa?

- naaaada. quero vomitar, apenas.

- toma uma coca-cola.

- gente, já tomei duas.

- toma mais uma.

- sim, que aí se tudo der errado no trabalho eu posso pelo menos entreter as pessoas arrotando o alfabeto no microfone.

- cara, você tem problemas.

olha, nem te conto.

~ ~ ~ 

- você tem 15 minutos pra expor seu trabalho.

- não se preocupa, não vou usar tudo isso.

- e mais 5 minutos para fazerem perguntas.

- naaaah, ninguém vai me perguntar nada.

- não se iluda.

~ ~ ~

- trouxe um pointer pra você.

(eu nunca sei se o certo é um pointer ou uma pointer. foda-se. pra quem não sabe do que eu estou falando, é aquele mini sabre de luz que os estrupícios da 8ª série apontavam para seus peitos/sua bunda e achavam engraçadão.)

- precisa não, moço.

- claro que precisa. você vai mostrar seus dados como?

- falando, ué.

- não, tem que apontar.

- moço, eu tô nervosa. eu sou descoordenada. não vai dar certo.

- ...

- minha apresentação vai parecer um eletrocardiograma, moço.

se sobrou alguém aí com a retina intacta, me acompanhe.

- ...

- vai por mim.