me pergunto que falha foi essa ao longo do caminho que me deixou fragmentada entre o que devia ter sido e o que restou. 

me pergunto quem sou e nenhuma resposta me satisfaz. sou qualquer coisa e coisa nenhuma e não há lugar em que esteja por inteiro, não há baú onde guardar esse monte de pedaços afiados que além de não fazerem muito sentido entre si não simpatizam uns com os outros. e eu vou largando um aqui e outro ali, pacificadora, tentando conter a rebelião. mas aí sempre falta alguma coisa. e então repentinamente falta tudo. falta essa cola que não está em filmes nem em livros nem em álcool nem em compras nem em noites em claro. nem em outras pessoas. não está em nada que me pertença, e também não está lá fora. 

talvez nem exista e eu esteja como sempre perdendo meu tempo. 

talvez um dia consiga enfim colar tudo e odeie o resultado, uma escultura cubista horrorosa que terei de arrastar pelo mundo. 

talvez um dia tenha a paciência necessária para juntar caco por caco e criar um mosaico. 

talvez apenas desencane disso tudo, guarde os pedaços à força, grite um AGORA SE VIREM! e vá viver minha vida fingindo que não tenho nada com eles.

e talvez, se eu repetir isso com bastante frequência e com bastante empenho, talvez acabe até mesmo me convencendo de que isso é possível.