uma das grandes obsessões de minha vida é o esqueleto de anão que mora no anatômico. isso desde que eu era uma caloura jovem e inocente que achava que esse negócio de biomédicas ia me levar a algum lugar. eu frequentava o anatômico assim, só por ir, sem nenhum objetivo, e ficava lá olhando os bebês dentro de potes de vidro. tempos depois minha animação iria murchar por motivos de (1) ter sido reprovada por não querer matar um porquinho da índia, tirar seus órgãos e tornar a recheá-lo com algodão numa avaliação de taxidermia e (2) meu casaco preferido ter sido derrubado PELA ELAINE (nível de rancor: lembro até hoje o nome da babaca) dentro de um tonel cheio de um líquido que tinha o cheiro da morte, onde guardavam um macaco sem cabeça não sei. por que. caralhos.

mas então tinha esse esqueleto de anão, numa vitrine antiga com acabamento em madeira, muito bonita, e eu adorava por causa do conto da lygia e porque tenho vocação para me empolgar com coisas estranhas, né. enfim, meus dias de biomédica acabaram, minhas visitas ao anão também, e só voltei a vê-lo mês passado, quando comecei a cursar anatomia.

para minha total decepção a vitrine bonita desapareceu e o anão agora divide uma vitrine regular com um outro esqueleto sem graça. além de tudo foi posicionado de qualquer jeito e agora está parcialmente escondido por uma coluna na parede, como se estivesse com vergonha de alguma coisa. pensei até que fosse vergonha alheia por saber que eu AINDA estou por lá, mas hoje descobri o verdadeiro motivo. o anão outrora tão elegante, que morava numa vitrine vintage, agora divide espaço com um macaco (?) vindo do mais absoluto nada, pendurado no teto por um arame. quer dizer: realmente não está fácil pra ninguém.

mas pelo menos o meu macaco tem cabeça, tá, sua recalcada.