e agora minha vida se resume a perseguir a coordenadora.

coitada.

quando ela entrou na sala hoje eu já estava lá sentada esperando calmamente. é uma das coisas que você pode fazer quando sua vida desanda e não há um plano b: esperar calmamente. talvez sob efeito de psicotrópicos, mas calmamente, isso que importa.

- que cara é essa? é choro isso?
- é alergia.
- ah bom. não chore. prova esse negócio, a gente não dá nada pelo potinho mas olha que coisa maravilhosa. - abriu um pote de iogurte grego, encheu uma colher, enfiou na minha boca e continuou comendo - pra que chorar se a gente pode encher o cu de iogurte, não é verdade?

(amo/sou pessoas que usam a expressão encher o cu de alguma coisa)

- tu quer me contar tua história triste?
- gente, pior que não? hoje só quero um requerimento.

ela engatou uns papos muito avulsos sobre budismo, reencarnação, assinou o papel que eu precisava e me despachou singelamente.

- agora eu quero ficar uns dias sem te ver, tá?
- se eu for reprovada venho aqui amanhã de novo pra narrar em tempo real.
- não não, vamos tentar métodos alternativos, me mande um email.
- POSSO? você vai responder?

risos.

- olha, você tá rindo mas tem a sorte de poder me mandar embora. já pensou nas pessoas que NÃO PODEM ESCOLHER se querem ou não me aturar durante esses dias?
- porra, puta que pariu, quero nem imaginar.


eu <3 sinceridade.

minha vontade é mandar um email só pra perguntar "mas hein, a senhora não quer me adotar?".