só que NEM ISSO, né?
mais ou menos nessa época, no ano retrasado, eu estava com o coração partido de tantas formas e por tantas pessoas diferentes que não sabia nem por onde começar a consertar o estrago. eu estava sozinha. talvez mais do que agora, mas é difícil mensurar porque sempre me sinto sozinha, de uma forma ou de outra. eu havia perdido da maneira mais inesperada e estúpida uma pessoa que não devia ter morrido naquela hora, daquela forma. eu havia abandonado a única linha de pesquisa da qual já gostei, e tudo o que vinha com ela - minha rotina, minhas viagens, meus planos. eu sabia que em algum momento precisaria tomar uma decisão que não queria,  e consumi muito tempo, saúde e energia até conseguir admitir isso para mim mesma.


eu não lembro como fiz para sair disso. mas o fato é que devo ter feito alguma coisa, porque a vida continuou. então eu sei que vou fazer de novo. vou pegar essa grande bagunça e dar meu jeito. não queria, porque estou cansada. não queria, porque pela primeira vez em muito tempo pensei que estivesse segura, pensei ter encontrado um lugar onde pudesse me sentir acolhida e relaxar por um tempo. não queria. mas vou. porque é isso que eu faço toda vez, já que nunca me é dada a escolha de permanecer na vida que pensei que fosse minha. então eu vou lá e começo uma nova. sem muito propósito, só porque sim. porque é a opção que resta. que bom que ainda resta uma.


e isso é o máximo de consolo que vou receber de qualquer pessoa, inclusive eu mesma.