não é pelo que acontece agora, é pelo que acontece desde sempre. 

essa sensação de não haver lugar nenhum em que possa estar inteira e segura. é sempre tudo pela metade, aos trancos, como quem recebe um favor. foi um caminho bem tumultuado até admitir pra mim mesma que me sinto assim porque é assim. porque sempre precisei fazer as concessões mais malucas para receber meia dúzia de migalhas de afeto, de coerência, de, sei lá, permanência. mas em vez disso o que tive até agora foram 3 décadas de "a raquel entende". e sim, eu até entendo que existam pessoas perturbadas que fodem a vida alheia mesmo quando não têm a intenção direta de fazê-lo. mas esse mecanismo nebuloso pelo qual eu atraio tanta falta de consideração junta é uma coisa que ainda me escapa. 

já tentei me relacionar com as pessoas apenas pelas beiradas, chapinhando naquele nível superficial e seguro. funcionou por um tempo e depois foi uma merda épica. porque isso não é pra mim, eu sou uma pessoa obcecada. tentei o caminho oposto, fechar os olhos e me atirar antes de começar a analisar demais e perceber o óbvio. e foi bom e intenso. as porradas que vieram em decorrência disso também foram boas e intensas. principalmente intensas. e eu poderia até chamá-las de educativas se estivesse certa de que aprendi a lição. mas nem isso. 

então eu não sei. realmente não sei até que ponto faz sentido remendar laços que serão esgarçados novamente em um dia, uma semana, um mês. 

e era sempre, não foi por mal
eu juro que nunca quis deixar você tão triste
sempre as mesmas desculpas
e desculpas nem sempre são sinceras
quase nunca são

20 comentários:

  1. Mas afinal, qual é o motivo para tanto apego?
    Se a gente não quer se ferir nas relações, mais vale cair na real de que o outro não é igual a nós, de que o outro também comete erros e pode foder com nossas vidas. É basicamente disso, aliás, que constitui a humanidade.
    Não sei, às vezes penso que o problema está em nós mesmos.
    Abraços.

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    1. mas entre cair na real e não se sentir mal com isso há todo um abismo, não?

      foi o que eu falei. não é que eu não entenda. é só que racionalizar não deixa menos doído. pelo contrário.

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    2. se está doendo então você não está racionalizando!

      Raquelzinha, prestenção... você. pensa. demais.

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    3. hahahahah, vc quer dizer que é possível racionalizar PENSANDO POUCO?

      gente.

      tem curso pra isso? se depender de minhas próprias sinapses acho que jamais conseguirei.

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  2. Ai, Raquel. Me sinto assim também, na maioria das vezes. Mas tento ser egoísta e sempre fazer o que quero e o que me deixa feliz. Não é justo com os outros, mas quando eles são justos comigo?
    Melhoras... rs

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    1. mas sempre tem aquele momento em que ~o que te deixa feliz~ envolve necessariamente outras pessoas.

      aí fuém.

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  3. acho que to na msm situação, minha vida nos ultimos tres anos foi uma mentira, pq de repente eu acordei e todos os meus ~amigos~ tinham sumido. de repente ninguem te chama mais pra nada, vc puxa assunto e só respodem o necessario pela boa educação e pra bom entendedor meia palavra basta. nos ultimos dois meses não há um ser vivo q nao tenha me deixado em pedaços. e eu não consigo me lembrar de nada tão cruel q eu tenha feito pra isso.

    será q tamo fedendo?

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    1. eu entendo esses ciclos, na verdade. essas fases em que todo mundo some, e eventualmente reaparece mais tarde - ou não, e tudo bem. as coisas acabam, começam de novo, se reinventam. ok.

      o que dói é quando as pessoas que afirmam te querer por perto são as mesmas que te afastam.

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  4. de todos os seus textos, esse foi um dos que mais mexeu comigo.

    me sinto da mesma forma. nada pior do que sempre dar tudo e receber apenas migalhinhas em volta. e o pior é que a gente sempre pensa que é migalhas são melhores do que nada, que pelo menos "é alguma coisa".

    como diria kátia cega, não está sendo fácil. nem um pouco

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    1. eu não penso assim não. não mais.

      se a pessoa acha que eu sou só merecedora do "alguma coisa" (no sentido de me oferecer MENOS do que espera que EU dê em troca), olha, não importa quem seja. eu não aceito, cara. se me acha pouco, se me acha menos, não vou mesmo fazer falta nenhuma. então que vão se ferrar.

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    2. preciso aprender a voltar a pensar assim. comofas?

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    3. não sei.

      porque eu falo falo falo e depois vou ali chorar no cantinho, não adianta realmente muita coisa. :(

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  5. Raquel, não sei se isso tem algo a ver MASSSSSSSS qual teu signo ? hahahaha
    Pq meu tudo o que você escreve bate certinho o que acontece comigo !
    me senti no direito de dar ctrl c/v do texto , MASSSSSS coloquei créditos hahahhaaha!!
    Apenas continue escrevendo :]

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    1. canceriana com ascendente em câncer. desgraça pouca é bobagem.

      e lua em aquário, mas sei lá, acho que veio com defeito porque nunca funcionou. :~

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  6. seu texto acima tem sido uma boa definição dos meus ultimos 12 anos.contado ninguém acredita.mas hoje estou enterrando os 35 anos e não vou ficar sorumbática nem com a boca aberta esperando migalhas (acho que ja fiz muitas figuras dessas).
    Hoje é dia de andar nua pela casa e tomar banho de mangueira no terraço enquanto os meus gatos me olham com terror <3 aha

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    1. feliz enterro-dos-35 atrasado. :)

      enterrarei os 30 dentro de alguns dias. espero sinceramente estar com um estado de espírito melhor até lá.

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    2. tinhas de ser Caranguejo,ahahahha mulheres dramáticas e romanticas :)

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    3. eu sou um duplo caranguejo.

      agora PENSE.

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  7. Raquel, acompanho seu blog há um certo tempo e gosto demais, cara. Apenas. Super me identifico com você e fiquei bem feliz quando você reabriu os comentários (quando comecei a ler, já era fechado). Adoro seu senso de humor, sua capacidade de (ainda) rir com as tragédias _ sim, porque são tragédias, nos desconstroem todo dia, todo tempo _ do cotidiano, da vida. Estou passando por uma fase, longa demais, ao meu gosto, rs, semelhante a sua, então ando querendo passar a pensar como você, sai pra lá se não me considera e não me trata como eu considero e trato o outro... mas sei lá, quem vai sobrar, essa é a questão. Medo.

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    1. ah, xuxu.
      não vai sobrar.

      esse é o ponto.

      e é por isso que a gente fala fala fala e se sujeita mesmo sabendo que não tá certo.

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